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terça-feira, 28 de julho de 2015

Liberum Anima.







Hoje declino de ser corpo para ser alma
A morte da noite, da vida ao dia.
Descerrar da concretude, vista do abstrato,
No diáfano ser o presente e passado. Futuro!
Pois tudo se consuma em sê-lo, passageiro...
-A sensação é de que nada fica, nem se eterniza.
Serei alma e sorrirei com as flores, sobre o túmulo.
Serei pluma e voarei com os pássaros no éter.
Primavera, águas do rio, outono. A brisa.
Fábula, aurora, estória, quimera, lenda.
Brotarei com o sol, a espargir pelos ares,
A persistir pelas turvas fendas...
Serei a águia altaneira, estarei sobre os mares!
De transparências vestido serei todas as coisas.
Abandonei a lágrima, serei alegria!
Em matizes multi cores. Morri noite, nasci em dia.
Num ocaso no ocidente vim a ser oriente.
Serei rochas, serei a terra, o pó, a grama,
O cipreste, o carvalho, a doce melodia...
Vigor do renovo, a novilha, a donzela que ama.
O moço viçoso, a colheita, a perdiz!
O tudo e o nada e todas as possibilidades
A vista deslumbrante e a janela. O aprendiz.
Serei senso, contrassenso, perfeição, anacronismo.
O avanço e a engrenagem da roda.
Serei o que não quero, e o querer impreciso,
Na previsão do desconhecido. O giro!
Ser o além de palavras e pensamentos.
Quantas coisas nos permitiriam sermos se apenas alma!
Por que insistimos tanto, tanto em ser corpo?
Dentre tudo e tantas coisas serei odores silvestres
Livre das torturas deprimentes e a loucura,
E ponte, e rio, calor e frio, concha, caramanchão!
Cálice, vinho, uva, videira. A pragana que teima...
Ser passo e também caminhos. Pulsar e coração.
Sol, musgo, esquecimento, lua cheia.
Ser o feno seco e o fogo que o queima...
E o misto de odores levados pelo vento.
Ser a chama da labareda que se desfaz
Amor sentido, candura e alento,
E volta ser tudo que devia ser, ou não o devia.
Ser o orvalho a cobrir as relvas,
A chuva fria a regar e renovar a terra
Inundar as planícies, Transbordar os cântaros.
Ser o acerto de quem erra.
Ser alma nos permite ser, tudo em todos.
Que fica e permanece no devir... A vagar.
Sem fim e sem começo. Ser universo!
Renascer a todo instante e ser os vários “Eu”.
Na Constância da inconstância de ser – Existir...
Sem jamais sabermos nós quem o é. 
O que foi, quem será.



2 comentários:

Lucia Marina Rodrigues disse...

Para ser amada a gente é tudo é nada é qualquer coisa ,contanto que sejamos amadas!Perdemos a noção do certo e do errado . Linda poesia Yy

Anônimo disse...

Para romancear eu diria algo assim: "Podes ser tudo! Vá! Desde que no retorno sejas somente meu!!
A paisagem seriam os jardim gregos, ela paralisada de ouvir as histórias e aventuras que ele viveu!!!
E a esperança ainda insiste em lhe bater à porta!! Fantásticas palavras que sempre me inspiram até nos mais funestos momentos de amargura e tristeza!!! Bj ....B...