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domingo, 3 de maio de 2015

Abstração do Mel-Querer.








Essa ave que voa, voa, voa, voa
Basta olhar, que se doa, doa, doa
Satisfaz ouvir... Em seus olhos
Em sua mente. De forma abstrata, 
indecente!Introduz-se licenciosa, doente.
Basta-lhe sentir, ela, se acende...
Sem licença. Entra, senta,Cantarola... 
Novamente, vai!Gorjeia, cintila. Rola, 
surpreende!Não importa a via. 
Transcende...Toca a mente.
Ah! Ai! Ais! Avezinha que voas...Poesia! 
Despertando os ais
Quem sabe? Donde... Irás ter pouso?
Em jardins floridos. Fantasia! Que não pouso
Ou, às profundezas, do raiar do dia.
D’alma, calabouços. Num voo extremoso.
Sozinha. Ambos, animais!

Nestes teus voos anormais...
Somos o que outros consideram anormais.
Em volta da lâmpada...
A volta da lâmpada...O que lhe atrai?
É a luz. Só a luz ou outros umbrais?

Se existe vida nestes outros portais...
Quem o poderá dizer... Amém!
Senão imortais. Engodo de esperança
Para além...
De quem nunca se cansa de buscar
Pois acredita que o amor
É valsa a conduzir todos ao além.

Um ser alado é similar aos anjos.
Mas és mariposas e em tuas asas
Ricamente bordadas, um diagrama se perfaz!
Em linhas bilaterais

As tuas asas não são de pureza
Tua realeza é de outro porvir
E as luzes que vemos,
O que queres mesmo é encobrir

Nas trevas que são tuas mortas esperanças
De um mundo novo se descobrir!
Viestes a ser a transparência mais linda
A luminescência bem vinda do amar!
A minha corola solitária sobrevoar.

Insistes ser teu nome amor
Eu te ouço, o verbo, amar.
Nas cores de tuas asas
Na forma de teu voar.
Então um néctar expande
Em  nosso doce deleitar
E o mel que de nós goteja
A sua presença abstraída, benfazeja

É o amor ao se expressar.