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domingo, 3 de agosto de 2014

Elevada Clausura









Das flores sempre formosas
Uma destacou-se guardando sua flagrância
Isolada, triste. Muda na distancia!
Somente sol e chuva presentes
Até da brisa se fazia ausente... 
Quando outras destilavam néctares
Banhando em orvalhos as pétalas
Ela a flor enclausurada, ausente,
Num mundo aquém dos sonhos ficara

Apática ao todo presente


 



Sabendo bem que não enterneces
Que vã é, a esperança à minha porta
E nada é, senão um feto que abortas!
Dentre todas, que quis, foste primeira. 
Seria minha face radiante, dos olhos, brilho...
Da poesia cancioneiro, doce refrão, estribilho
Águas a jorrar dos Alpes às ribeiras
Em impetuosa vazão pelo mundo 
Mas, como cerzir sua alma a minha vida
Se a felicidade, sempre foi ela aventureira
A prófuga ventura clandestina
Àquela que ao se buscar não se acha 
Àquela que quando vem não se eterniza
Àquela que não cura a dor ou lhe ameniza
Àquela ave de plumagens de brisa e ilusões
Que com seu canto tanto engana aos corações, 
Àquela que pousa bem diante dos olhos
E ao estendermos as mãos num almejo
De ao menos sua candura sentir, qual suave beijo
Ela, num súbito assomo se vai, n’outro voo por aí...
Sabendo bem que não enterneces
Que vã é, a esperança à minha porta
E nada é, senão um feto que abortas!
Dentre todas, que quis, foste primeira. 
Seria minha face radiante, dos olhos, brilho...
Da poesia cancioneiro, doce refrão, estribilho
Águas a jorrar dos Alpes às ribeiras
Em impetuosa vazão pelo mundo 
Mas, como cerzir sua alma a minha vida
Se a felicidade, sempre foi ela aventureira
A prófuga ventura clandestina
Ainda que amarga, realçava colorida
E de mil cores pintava-se pelos dias
A qual deixava fugir a cada sépala perdida
Para os élfos um mistério, às ninfas, uma incógnita
Tão longe de outras flores na sua essência esquecida.



Ao ermo selou sua vida...
As outras, escolheram os campos
Espargindo seus polens aos ares
Ela fechou-se numa redoma esquecida
Não via ao redor a beleza,
Apartou-se dos sonhos e da natureza.
Ocultando-se até de si mesma em bruma vil e enfadonha
Embora sendo linda guardou pra si a realeza
A flor mais bonita no mundo
Entregou-se a uma profunda tristeza
Cercou-se de seus queixum
Deixou de exalar seu perfume
                                                           
 
Um dia um aventureiro
Vivendo em um mundo de sonho
Sem na vida pensar em nada




Apenas cantando sua poesia
Em suas andanças percebeu
Ali bem ao largo da trilha
A bela flor que se escondia
Embora o olor ausente
Tanto encantamento se via que o poeta
Ali se deixou ficar admirando
Notou então que a flor chorava
E a cada lágrima pendida
 Ficava mais e mais colorida

Num impulso do momento fagueiro
Àquele emocionado aventureiro
Uma antiga cantiga entoou de improviso
E meio desajeitado a trouxe aos lábios
E um terno beijo lhe deu






D’um instante a outro, um arco íris se acendeu
Diante desse novo cenário, todo o derredor mudou
O andarilho pasmo recuou nos perfumes ascendidos
Uma efígie se formou do nada e formosa fada surgiu
Era uma fada triste, sem sonhos, sem magia
Logo que novo corpo assumiu
Uma voz suave e longínqua soou
Das entranhas da doce criatura
Que naquela flor se escondia...
Ela agradeceu ao bardo por lhe despertar da clausura
Àquela que ela mesma criará
Retribui ao estranho o beijo e sorriu
Um par de asas translúcidas surgiu
Ela, uma flor, uma fada rufou bem acima de tudo
Enlevando-se foi diante do atônito bardo
E cada vez mais alto no céu seguiu
Ate onde nasce à noite e lá se fez estrela...








Por onde andar o trovador nunca mais há de esquecer
A experiência inusitada, ao beijar a flor que era fada
Acrescentando mais uma estrela ao céu
Com sua luz mais linda e esplendorosa
E de onde esta ela o vela
Quem quiser vê-la também luzir
É só o céu a noite olhar
Verá uma estrela a sorrir.
O poeta agora se pode ver nas ruas
Ele não canta mais para a lua





Dedilha notas mortas e vazias
E sai pelas noites frias
Cidades, campos e desertos
Almejando que o céu chegue mais perto
E possa, enfim, beijá-la outra vez.



Um comentário:

Katia Marques disse...

Aqui embriagando-me com teus escritos... safra de melhor qualidade não há !!! Ler vc é fazer a mais doce viagem... Aqui tem cor, cheiro e sabor... tem vida !!!
Beijos