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terça-feira, 5 de agosto de 2014

O Chamado














O Chamado.


As horas avançam, ouço teu chamado. Momento que nossas almas se encontram.
Seguimos nas sombras pela penumbra como se não fossemos desse mundo indiferente aos sinos e as badaladas para longe de nossas criptas. Juntos, os segundos já escoam gotejantes e a cada passo dos ponteiros estacas vão sendo fincadas em nossos corações.
O dia resultado da noite tenebrosa se aproxima aos primeiros sinais da aurora, desatamos as mãos, desenlaçados de nosso abraço do inferno Da nossa paixão, retornamos a frieza úmida do sepulcro que é nossas vidas. Neste instante, nossas almas lívidas, pesarosas tendo que ir, despede-se e vela ansiadas e sequiosas por novo encontro a outra noite que virá.
Para o dia e as pessoas somos reclusos, pois, não entendem, nem sabem que somos vampirescos no nosso querer. Quem nos seca, nos torna pálidos, trêmulos e destemperados é a distancia. Pois, sempre ávidos um pelo outro sabemos que somente assim nos alimentamos, e o que nos acalenta é a mútua existência.
Logo à noite, ouvimos um ao outro em nossos profundos gemidos.

A tua súplica vence as distâncias.
Minha alma faminta estende as asas e voa ao encontro da tua.  

Um comentário:

Katia Marques disse...

Boa noite, Yehrow !!! Passando aqui numa visita, acabei ficando e deliciando-me com teus escritos !!! Há tanta intensidade neles que confesso que leio várias vezes buscando absorver cada palavra !!! Parabéns por tão linda composição... bjs